25 jun “Uso responsável da Inteligência Artificial na rotina da manutenção elétrica”
A Inteligência Artificial (IA) generativa deixou de ser uma tecnologia do futuro para se tornar uma ferramenta de apoio cada vez mais presente no ambiente industrial. Quando utilizada de forma consciente e responsável, pode agregar valor às atividades de manutenção elétrica, aumentando a produtividade, a padronização documental e a gestão dos riscos, sem substituir a experiência e o julgamento técnico dos profissionais.
Na área de manutenção elétrica industrial, a IA pode ser empregada como uma importante ferramenta de suporte na elaboração e revisão de procedimentos técnicos e de segurança, instruções de trabalho, análise preliminar de riscos (APR), permissões de trabalho (PT), check lists de inspeção, planos de manutenção preventiva, corretiva e preditiva, além de auxiliar na organização documental do Prontuário das Instalações Elétricas (PIE), conforme os requisitos da NR-10.
Outro campo promissor é o apoio à implantação e manutenção do Sistema de Gestão de Segurança em Instalações Elétricas. A IA pode auxiliar na identificação de perigos, na estruturação de matrizes de risco, na elaboração de programas de treinamento, simulados de emergência e materiais de capacitação para eletricistas, técnicos e engenheiros.
Na manutenção preditiva por exemplo, os recursos de IA associados aos sistemas de monitoramento podem contribuir para a análise de tendências e identificação de possíveis falhas em motores, transformadores, painéis elétricos e outros equipamentos críticos, permitindo uma atuação mais proativa e reduzindo custos decorrentes de paradas não programadas.
Ferramentas de IA generativa, como ChatGPT, Microsoft Copilot, Gemini, Claude e Perplexity, podem auxiliar ainda na elaboração de planilhas, relatórios técnicos, apresentações, gráficos, fluxogramas, procedimentos operacionais e conteúdos didáticos voltados para treinamentos internos e reciclagens exigidas pela NR-10.
Entretanto, o uso dessas ferramentas deve ocorrer de forma responsável. A IA não substitui normas técnicas, procedimentos corporativos, experiência prática e responsabilidade profissional. Seu papel é fornecer apoio à tomada de decisão, e não atuar como fonte única de informações.
Para obter resultados mais precisos, é fundamental fornecer instruções claras e detalhadas (prompts). Quanto mais informações forem disponibilizadas, maior será a qualidade das respostas. É recomendável especificar:
- Objetivo do material a ser elaborado;
- Tipo de documento desejado (texto, planilha, procedimento, checklist ou gráfico);
- Público-alvo;
- Normas e referências aplicáveis;
- Características da instalação ou do equipamento;
- Contexto operacional;
- Informações complementares e documentos de apoio.
Essa prática reduz ambiguidades e aumenta a aderência do conteúdo gerado às necessidades reais da organização.
Outro aspecto importante é preservar a confidencialidade das informações industriais. Dados sensíveis, projetos, diagramas elétricos e documentos estratégicos devem ser tratados conforme as políticas de segurança da informação da empresa.
Também é necessário evitar o uso excessivo ou indiscriminado da tecnologia. O profissional não deve perder sua capacidade crítica nem transferir integralmente à IA a responsabilidade por análises técnicas. Informações incorretas, interpretações equivocadas ou referências desatualizadas podem ocorrer e, se não forem identificadas, podem comprometer a segurança operacional.
A melhor prática consiste em utilizar a IA como uma ferramenta complementar à competência humana. Todo material produzido deve passar por uma análise crítica criteriosa, verificando sua conformidade com a NR-10, normas da ABNT, requisitos internos e condições reais das instalações.
A inteligência artificial representa uma oportunidade para aumentar a eficiência, a padronização e a gestão de riscos na manutenção elétrica. Contudo, seu maior potencial está na combinação entre tecnologia e conhecimento técnico. Em outras palavras, a qualidade dos resultados continuará dependendo da experiência, da responsabilidade e do senso crítico dos profissionais que fazem da segurança e da confiabilidade dos sistemas elétricos uma prioridade permanente.
Sobre o autor:
Cleiton Lopes da Cunha é graduado em Tecnologia em Processos Gerenciais, Engenharia Elétrica, Pós Graduado em Engenharia Elétrica com Ênfase em Instalações Industriais. E MBA em Gestão de Projetos.
Link do livro: https://clubedeautores.com.br/livro/topicos-gerais-de-engenharia-eletrica
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Fonte: www.osetoreletrico.com.br