Mulheres que movimentam a operação eólica no Brasil

Mulheres que movimentam a operação eólica no Brasil

Quando falamos sobre energia eólica no Brasil, os números costumam vir primeiro: capacidade instalada, participação na matriz elétrica, investimentos anunciados. Mas existe um aspecto menos visível — e igualmente decisivo — para que essa engrenagem funcione todos os dias: as pessoas que planejam, operam, mantêm e lideram os parques eólicos espalhados pelo país.

É nesse bastidor da transição energética que uma transformação silenciosa vem acontecendo. Cada vez mais, mulheres ocupam funções técnicas e operacionais diretamente ligadas ao funcionamento dos parques, do campo à liderança regional, em uma indústria que, por muito tempo, foi predominantemente masculina.

No interior da Bahia, por exemplo, Drenallina Borges inicia seus dias com reuniões de segurança antes de seguir para a manutenção de turbinas que chegam a mais de 120 metros de altura. Formada em Engenharia Civil, ela recomeçou a carreira ao migrar para o setor eólico, começando no almoxarifado enquanto buscava qualificação técnica. Hoje atua como técnica plena de manutenção, em uma rotina que exige preparo físico, conhecimento técnico e adaptação constante — conciliando o trabalho em campo com a maternidade.

No Rio Grande do Norte, Lívia Figueiredo, líder técnica de operação e manutenção, coordena uma equipe responsável por garantir a disponibilidade das turbinas em uma das regiões mais estratégicas da eólica brasileira. Com formação técnica em eletrotécnica e uma trajetória construída no próprio ambiente de operação, ela lidera equipes em campo e toma decisões que impactam diretamente a geração de energia.

Já no Ceará, Yohana Damasceno atua como especialista técnica em pás eólicas — uma função crítica para o desempenho, a segurança e a vida útil das turbinas. Sua trajetória começou na fabricação industrial, passou pela liderança de equipes e evoluiu para uma atuação altamente especializada, conectando dados, inspeções e decisões operacionais que garantem a confiabilidade da operação.

Em uma escala mais ampla, Amanda Figueiredo, responsável pela execução de projetos eólicos em 21 países da América Latina, lidera equipes distribuídas e coordena contextos diversos para garantir que os parques saiam do papel e comecem a gerar energia. Seu trabalho mostra que, além da operação em campo, a transição energética também exige liderança capaz de integrar pessoas, culturas e sistemas complexos.

Essas histórias são apenas alguns exemplos entre muitos outros que hoje fazem parte da realidade da Vestas no Brasil. Atualmente, a empresa conta com quase 40% de mulheres em posições de liderança, um indicador que não surgiu por acaso, mas como resultado de uma combinação entre oportunidade, qualificação técnica e uma cultura que reconhece competência onde ela existe. E buscamos crescer ainda mais a participação feminina nas áreas de engenharia e do campo.

Na prática, a presença feminina em áreas técnicas e operacionais tem trazido ganhos concretos para o setor: maior atenção a processos, comunicação mais integrada entre equipes, foco rigoroso em segurança e uma visão sistêmica da operação — elementos essenciais em uma indústria que lida com ativos complexos, ambientes desafiadores e necessidade constante de alta performance. Não se trata de um “diferencial feminino” no sentido simbólico, mas de competências que fortalecem a eficiência e a maturidade da operação eólica.

Esses avanços refletem um movimento mais amplo da indústria eólica brasileira. À medida que o setor cresce em escala e complexidade, aumenta também a demanda por profissionais qualificados, capazes de lidar com tecnologia, segurança, gestão e tomada de decisão em campo. Ampliar o acesso das mulheres a essas funções não é apenas uma agenda de diversidade. Trata-se de uma estratégia diretamente ligada à sustentabilidade do crescimento do setor.

A energia eólica já se consolidou como um pilar da matriz elétrica brasileira. O próximo desafio é garantir que as estruturas humanas que sustentam essa operação sejam tão robustas quanto os equipamentos instalados no campo. Nesse cenário, as mulheres que hoje movimentam a operação eólica no Brasil não estão abrindo exceções. Elas estão ajudando a definir o padrão do futuro da indústria.

Sobre o autor

Joao Guilherme Alves é Vice-presidente de People & Culture da Vestas para a América Latina, com mais de 20 anos de experiência em Recursos Humanos. Ao longo da carreira, atuou em posições estratégicas focadas em desenvolvimento de talentos, cultura organizacional, transformação empresarial e integração de negócios, liderando iniciativas voltadas à performance, diversidade e crescimento sustentável.

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Fonte: www.osetoreletrico.com.br