Mulheres que inspiram: conheça histórias de quem transforma o setor elétrico e industrial

Mulheres que inspiram: conheça histórias de quem transforma o setor elétrico e industrial

Executivas e engenheiras compartilham experiências de liderança, superação e crescimento profissional em setores historicamente marcados pela presença masculina

Ao longo das últimas décadas, as mulheres têm desempenhado trabalhos essenciais em setores de engenharia, indústria e tecnologia, áreas historicamente predominadas por homens. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais 2022), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram que apenas 20,9% dos empregos formais na indústria são ocupados por mulheres. Embora a presença feminina ainda seja menor em comparação à masculina, o número representa um avanço significativo em relação ao que se observava em tempos anteriores.

Esses sinais de mudança são mostrados também em outro levantamento. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que, em 2025, a indústria registrou mais de 80 mil novas contratações femininas, número 24% superior ao de homens no mesmo período.

No setor elétrico em áreas produtivas relacionadas, esse avanço se traduz em histórias que combinam empoderamento, qualificação técnica e resiliência. A presença feminina cresce em diferentes frentes, de fábricas e centros de operação a laboratórios de inteligência artificial e cargos executivos, mulheres contribuem para o avanço sustentável das suas respectivas áreas. 

É nesse contexto que surgem histórias de profissionais que não apenas conquistaram espaço, mas também participam ativamente da transformação tecnológica e operacional do setor.

Inteligência artificial aplicada ao sistema elétrico

As mulheres assumiram protagonismo na fronteira tecnológica do setor elétrico, desenvolvendo soluções capazes de enfrentar desafios complexos da operação do sistema. Na Concert Technologies, Sirlene Magalhães e Tamara Mendes atuam no desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial que ajudam concessionárias a antecipar falhas, proteger o meio ambiente e melhorar a gestão da rede elétrica.

Sirlene, mestre em Ciência da Computação, lidera projetos que utilizam machine learning para transformar grandes volumes de dados em decisões operacionais. Um dos sistemas desenvolvidos pela equipe permite monitorar a vegetação próxima às redes elétricas por meio de imagens captadas por satélites, drones e dispositivos móveis.

“Quando cruzamos dados ambientais, históricos de ocorrências e registros visuais, conseguimos antecipar cenários de risco. A tecnologia deixa de ser reativa e passa a ser preventiva”, afirma Sirlene.

Já Tamara atua no desenvolvimento de algoritmos capazes de extrair informações estratégicas a partir de imagens. Para ela, a presença feminina nesses projetos tem impacto que vai além da tecnologia. “Ainda somos minoria em áreas como engenharia e ciência de dados. Estar à frente de soluções críticas mostra que competência técnica e liderança não têm gênero”, afirma. 

Da graduação aos grandes projetos

Na engenharia, as mulheres além de projetar o futuro, também refletem sobre o caminho percorrido até ele. Aos 27 anos, a engenheira mecânica Tássia Morais faz parte disso, ao entrar na TSEA, hoje atua como engenheira de projetos. Durante a graduação, lembra que muitas vezes era a única mulher em sala, especialmente nos laboratórios. No mercado de trabalho, no entanto, percebe um cenário em transformação. “Na TSEA, a régua é alta para todos; o que realmente conta é o mérito e o que entregamos”, afirma.

Com mais de 20 anos de carreira, a engenheira elétrica Josilaine Prochnow viveu um contexto ainda mais desafiador. Quando passou no vestibular, era a única mulher entre os aprovados. Ao longo da trajetória, conciliou trabalho e estudos até chegar à coordenação de engenharia da empresa. Hoje, além de liderar equipes em projetos de subestações móveis e híbridas, também busca orientar profissionais mais jovens. “Às vezes, na nossa carreira, precisamos saber contornar situações e ser estratégicas para alcançar nossos objetivos”, diz.

Natalia Cristina de Matos, 39 anos, entrou na TSEA em 2004 como estagiária e, ao longo de 21 anos, tornou-se engenheira de projetos sênior na fábrica em Contagem. É especialista na parte ativa dos transformadores, a estrutura interna do equipamento, onde ficam as decisões mais sensíveis do projeto. “Eu trabalho com a parte que ninguém vê”, define. 

Esse percurso de formação, resiliência e afirmação profissional se traduz diretamente nos projetos que essas engenheiras ajudam a tirar do papel. Entre eles estão subestações ligadas à transposição do Rio São Francisco e equipamentos de grande porte, como transformadores com especificações diferenciadas, incluindo o mais alto já fabricado pela empresa, com 4,8 metros de altura. São obras que mostram, na prática, como o futuro da engenharia também vem sendo projetado por elas.

Liderança feminina fortalece cultura justa e inclusiva 

A presença feminina no mercado de trabalho passa, entre outros fatores, pela construção de uma cultura organizacional que incentive e fortaleça a participação das mulheres nas empresas. À frente da Milwaukee Brasil, a CEO Paula Cristina Dani tem assumido esse compromisso ao tratar a equidade de gênero como um pilar cultural e estratégico da operação no país. Sob sua liderança, a empresa busca ampliar oportunidades de crescimento e fortalecer a presença feminina em áreas técnicas e de liderança, tradicionalmente ocupadas por homens.

Há cerca de dez anos, Paula assumiu o desafio de estruturar a filial brasileira da Milwaukee. Com a operação consolidada, veio a etapa de expansão, em 2025, já como CEO, liderou a implantação de uma nova unidade em Jundiaí (SP), com 800 metros quadrados, transferindo para o interior paulista o eixo logístico responsável pelo atendimento de todo o território nacional.

Atualmente, ela está à frente de uma operação estruturada, com dezenas de lojas autorizadas distribuídas nas cinco regiões do país e cerca de 80 colaboradores diretos, liderando também o processo contínuo de expansão e consolidação da marca no Brasil.

Formação profissional abre caminhos para mulheres no setor elétrico

A ampliação da presença feminina no setor elétrico passa também por iniciativas de formação e capacitação profissional. Desde 2013, a Neoenergia já formou mais de 1.000 mulheres por meio do projeto Escola de Eletricistas, programa de capacitação voltado para moradores das áreas de concessão da companhia. A iniciativa, segundo a empresa, é celebrada pelo êxito, pois cerca de 75% das participantes foram contratadas após a formação.

Entre as histórias que ilustram essa transformação está a de Ana Raiza Casusa, de 32 anos, em Mossoró (RN). Após uma década atuando como professora do ensino fundamental em escolas públicas e privadas, ela decidiu mudar de carreira ao ingressar na Escola de Eletricistas da Neoenergia Cosern. “Fiquei sabendo do programa por amigos que atuavam no setor elétrico e vi ali uma oportunidade de buscar novos caminhos”, conta. Formada em 2019, ela foi contratada no ano seguinte e hoje também cursa Engenharia Elétrica.

Outra profissional que teve sua vida transformada pela Escola de Eletricistas foi Joyce Marques. Ela começou como jovem aprendiz no setor elétrico e hoje é a única inspetora mulher em Pernambuco. Na área corporativa, Ana Faria é a única mulher gerente de operações da Neoenergia Elektro, que atende os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Hoje, lidera uma equipe de 246 pessoas, com 87% de homens.

A Escola de Eletricistas da Neoenergia oferece capacitação e qualificação profissional gratuitas aos moradores das áreas de concessão, contribuindo para a geração de emprego e renda e estimulando o desenvolvimento econômico local. Em 2025, foram promovidas 18 turmas mistas, em que as mulheres representaram 33% do total de alunos.

Mulheres protagonistas na indústria de alumínio

A presença feminina também avança em segmentos industriais estratégicos, como o de alumínio. Na Alubar, duas trajetórias ilustram esse movimento: a da coordenadora de Importação e Exportação, Nelma Vilhena, e a da engenheira de projetos Annamaria Nazareth.

Nelma iniciou sua trajetória na fábrica de Barcarena (PA), em 2001, como secretária da área Comercial. Com o crescimento acelerado da empresa, passou a assumir novas responsabilidades e desafios, movimento que impulsionou sua evolução profissional até chegar à liderança. Em um ambiente industrial ainda predominantemente masculino, ela afirma que precisou demonstrar constantemente sua capacidade técnica. “Ser mulher ainda exige provar competência mais de uma vez. Sempre lidei com isso mostrando profissionalismo e resultados”, afirma.

Já Annamaria Nazareth, de 32 anos, trilhou um caminho marcado pela experiência internacional. Colaboradora da Alubar desde 2021, participou de projetos no Canadá e nos Estados Unidos até receber, no fim de 2025, o convite para atuar permanentemente na unidade da empresa no Missouri, como ponto focal do time de Projetos Industriais. Para ela, a maior barreira inicial foi a comunicação em outro idioma, mas a dedicação ao trabalho e o aprendizado contínuo permitiram transformar o desafio em crescimento profissional.

Embora a presença feminina na indústria ainda seja minoritária em cargos estratégicos, trajetórias como as de Nelma e Annamaria refletem uma mudança gradual impulsionada por qualificação, oportunidades e reconhecimento. Para Nelma, a mensagem para as novas gerações é clara: “A sua determinação trilhará o seu futuro. Nunca duvide da sua capacidade de liderar.”

The post Mulheres que inspiram: conheça histórias de quem transforma o setor elétrico e industrial appeared first on O Setor Elétrico | Conteúdo técnico para profissionais do setor elétrico.

Fonte: www.osetoreletrico.com.br