29 jan Medição inteligente de energia deve avançar após diretrizes do governo, mas debate precisa de ajustes
Especialista aponta que portaria publicada nesta quinta-feira (29) está de acordo com as tendências do setor elétrico e sugere aprimoramentos necessários
A portaria que estabeleceu diretrizes para a implantação de medidores inteligentes de energia no Brasil representa um avanço esperado pelo setor elétrico, mas também impõe desafios técnicos e regulatórios que exigem análise crítica e aprofundamento do debate. O texto foi divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) nesta quinta-feira (29).
Para o coordenador do projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) Governança de Sandboxes Tarifários, Lindemberg Reis, a portaria adota uma postura mais cautelosa em relação à proposta inicial, reduzindo de 4% para 2% ao ano a meta de incorporação de medidores inteligentes. “É o tipo de modernização que se espera para o setor”, avalia.
No entanto, persistem dúvidas sobre a definição de medição inteligente. “Precisamos de fato de fazer uma força-tarefa no Brasil para estabelecer o conceito de medição inteligente, mas a portaria já traz algumas determinações importantes, como corte e religação remotos, combate às perdas não técnicas, entre outros aspectos”, pondera Lindemberg Reis, que também é gerente de Planejamento e Inteligência de Mercado na Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).
A publicação da portaria ocorre em paralelo à consulta pública aberta pela Aneel que busca revisitar requisitos para a medição inteligente no país. O contexto aponta para uma tendência de maior digitalização dos serviços e ampliação do acesso à informação para os usuários de energia, mas também exige modelos de investimento com custo-benefício justo para a sociedade.
Quanto aos Sandboxes Tarifários, grande parte das experimentações conduzidas depende da medição inteligente, especialmente em modalidades como tarifa horária e pré-paga. O desafio central, reforça Lindemberg Reis, é definir com precisão o conceito de medição inteligente e formular modelos regulatórios que viabilizem investimentos sustentáveis e eficientes.
Sobre o projeto
Nos sandboxes regulatórios, normas são flexibilizadas para testes de modalidades inovadoras. Os resultados colhidos pelas distribuidoras serão usados pela Aneel para pensar a modernização do sistema elétrico, que envolve também as mudanças no formato da tarifa.
Neste caso, há nove projetos-pilotos em andamento, que tratam de temas como adaptação de consumidores residenciais ao mercado livre de energia (hoje disponível apenas para grandes consumidores), tarifas multipartes, tarifas fixas, formas de cobrança especial para proprietários de veículos elétricos, entre outras modalidades.
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Fonte: www.osetoreletrico.com.br