ESW Brasil: Atualizações normativas impulsionam discussões sobre arco elétrico e segurança 

ESW Brasil: Atualizações normativas impulsionam discussões sobre arco elétrico e segurança 

Realizado em São Paulo, entre os dias 7 e 9 de outubro, o XII Electrical Safety Workshop reuniu especialistas, pesquisadores e profissionais para debater a segurança elétrica no país

O ano de 2025 tem sido marcado para o setor elétrico como renovação de normas importantes de segurança e a introdução de novas diretrizes, como a ABNT NBR 17227, que estabelece diretrizes para o gerenciamento de risco de arco elétrico. Em sintonia com esse movimento de atualização normativa, o XII Electrical Safety Workshop (ESW Brasil) reuniu, entre os dias 7 a 9 de outubro, no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP), especialistas, pesquisadores e profissionais do setor elétrico em torno de um objetivo comum: promover a cultura da segurança elétrica no país.

Um dos grandes destaques do evento, foi o retorno de palestras internacionais, algo que não ocorria desde a edição de 2009. A abertura contou com o químico James Cliver, integrante do grupo de pesquisa responsável pelo desenvolvimento de alguns dos primeiros tecidos industriais FR (Flame Resistant) e AR (Arc Resistant) voltados ao setor elétrico. Ele apresentou a palestra “Resistência ao arco elétrico”, compartilhando avanços e aplicações práticas dessas tecnologias em ambientes industriais.

O evento marcou a segunda edição consecutiva sob coordenação geral do especialista em ensaios de vestimentas para contração contra energia incidente, Márcio Bottaro, que já havia conduzido o encontro em 2023. Segundo ele, a decisão de sediar o ESW Brasil no IEE-USP foi motivada pelo recente avanço do Laboratório Brasileiro de Arco Elétrico, um dos poucos centros de pesquisa em operação no mundo voltado à certificação de materiais de segurança.

“O ESW Brasil é um espaço essencial para troca de conhecimento e para o fortalecimento da cultura de segurança elétrica no país. Trazer o evento para o IEE-USP representa um avanço importante, especialmente com o desenvolvimento do Laboratório Brasileiro de Arco Elétrico, que coloca o Brasil em um novo patamar de pesquisa e certificação. Nosso objetivo é conectar o que há de mais atual no mundo, elevar o nível técnico dos profissionais e disseminar boas práticas que realmente façam diferença no dia a dia das empresas”, afirma o coordenador geral do evento. 

Responsável pela organização e comitê técnico do evento, a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), representada pelo engenheiro eletricista e presidente da entidade, Danilo de Souza, que também é Professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ressaltou que as duas últimas edições tiveram como foco o estudo de energia incidente e do arco elétrico. Segundo o presidente, o ESW Brasil é o único evento no mundo dedicado exclusivamente à discussão dos acidentes de origem elétrica e à promoção da segurança no uso da eletricidade. 

“A Abracopel mantém uma parceria permanente com o ESW dos Estados Unidos, e nesta edição conseguimos dar um passo importante, porque os trabalhos apresentados no Brasil agora serão indexados na base de dados global do IEEE, ampliando a visibilidade internacional das pesquisas desenvolvidas aqui”, afirmou Danilo de Souza, professor e presidente da associação.

Palestras e minicursos 

Além das apresentações técnicas e plenárias internacionais, o ESW Brasil 2025 contou com tutoriais e minicursos voltados à aplicação prática das normas e à redução dos riscos de acidentes elétricos. Os engenheiros eletricistas e também responsáveis de fazerem parte do grupo de trabalho que elaborou a ABNT NBR 17227, Cláudio Mardegan, Marcio Bottaro e Filipe Resende apresentaram juntos o minicurso “Roteiro de elaboração e avaliação de um estudo de energia incidente”, com foco nas recentes atualizações normativas e nos desafios enfrentados por profissionais que executam estudos e análises de campo.

“Com a publicação da nova norma, surgiram novas demandas e obrigatoriedades. No nosso tutorial, buscamos mostrar não apenas o que está escrito, mas também o que não está, me refiro aos detalhes práticos que fazem diferença na aplicação real. O objetivo é elevar o nível de conhecimento dos profissionais e preservar vidas, minimizando acidentes por arco elétrico”, destacou Mardegan.

Já o Aguinaldo Bizzo, engenheiro eletricista e especialista em segurança do trabalho, apresentou o minicurso sobre critérios para análise de riscos elétricos para atendimento às NR 10 e NR 1, ambas normas regulamentadoras de segurança. Durante a apresentação, Bizzo abordou a importância de interpretar corretamente as normas regulamentadoras e de estruturar programas de gerenciamento de riscos ocupacionais (PGR) de forma técnica e padronizada.

“O evento é uma oportunidade ímpar de discutir temas que refletem a realidade do campo. Ainda há muita confusão na aplicação das normas e falta de padronização nas análises. Esses encontros ajudam as empresas a tomar decisões mais seguras, garantindo a proteção dos trabalhadores”, explicou o especialista.

Integração entre indústria e pesquisa

A Vale marcou presença como patrocinadora do evento e nas discussões técnicas apresentadas. A companhia divulgou nove trabalhos científicos, número superior ao da edição passada. De acordo com Filipe Resende, gerente técnico da empresa, a Vale tem buscado consolidar sua participação no evento não apenas como ouvinte, mas como agente disseminador de conhecimento e boas práticas em segurança elétrica.

“Começamos participando com alguns trabalhos em 2023 e, nesta edição, trouxemos nove. Também passamos a apoiar o evento financeiramente, o que demonstra nosso compromisso com o tema. O objetivo é compartilhar as lições aprendidas, trocar experiências e levar boas ideias de outras empresas e palestrantes para dentro da Vale e neste ano, tivemos uma participação recorde, com cerca de 50 pessoas, e a companhia está muito satisfeita em ver seu nome associado a um evento que fala de segurança e eletricidade”, afirmou Resende.

A Westex, empresa especializada em vestimentas de segurança no setor elétrico, esteve presente pela quinta vez como patrocinadora do ESW Brasil. De acordo com Maria do Carmo, gerente de produtos da instituição, o evento é alinhado ao propósito de trazer segurança e conforto para profissionais que atuam em campo. 

“Trouxemos para esta edição duas tecnologias testadas, que vão de tecidos 100% algodão a 100% sintéticos. Um dos grandes destaques é o Westex DH, lançado há cerca de três anos, que combina diferentes tipos de fibras, como o lyocell, que traz transpirabilidade, e o modacrílico, que oferece proteção térmica, proporcionando conforto mesmo em ambientes de altas temperaturas. Nosso carro-chefe continua sendo o tecido UltraSoft, o mais vendido do mundo, com 90 anos de mercado e um histórico robusto de desempenho e confiabilidade”, afirma a especialista. 

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Fonte: www.osetoreletrico.com.br