Especialistas e autoridades debatem infraestrutura energética brasileira

Especialistas e autoridades debatem infraestrutura energética brasileira

Realizado pela ABEE Nacional, o Congresso Brasileiro da Modalidade Elétrica ocorreu entre os dias 23 e 25 de março, em Brasília

Temas estratégicos para o desenvolvimento do setor elétrico como governança, expansão da infraestrutura elétrica, geração distribuída, armazenamento de energia, regulamentação e a abertura do mercado de energia estiveram no centro dos debates do II Congresso Brasileiro da Modalidade Elétrica (CBME), que ocorreu em Brasília, entre os dias 23 e 25 de março. Promovido pela ABEE Nacional (Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas), com apoio da Mútua e do CREA-DF (que sediou o congresso), o evento reuniu especialistas, autoridades públicas e profissionais da engenharia elétrica de todo o país. 

Ao longo de três dias de programação, os participantes acompanharam painéis e debates sobre temas estratégicos para o desenvolvimento do setor, consolidando o CBME como um importante espaço de diálogo sobre os desafios, as inovações tecnológicas e as perspectivas para o futuro da modalidade elétrica no Brasil. O evento também destacou o papel central da engenharia elétrica na construção de soluções capazes de sustentar o crescimento econômico do país e garantir segurança energética diante das mudanças tecnológicas e geopolíticas que impactam o cenário global.

Créditos: Edmilson Freitas

Presente no painel de abertura do CBME, o Diretor Geral da ANEEL, Sandoval Feitosa, destacou a importância do fortalecimento da infraestrutura energética nacional, em especial, em face dos últimos movimentos e transformações que estão ocorrendo na geopolítica global. “A engenharia nacional, especialmente na área de tecnologia, nunca esteve em um momento tão propício ao desenvolvimento de toda a cadeia de profissionais. Hoje temos um país que precisa de investimentos em infraestrutura. A energia elétrica é a mais vital de todas. Existe o essencial e o essencialíssimo. No Brasil, temos 12 agências reguladoras. Todos os serviços são importantes, mas não conseguimos falar de nenhuma delas sem energia: portos, aeroportos, hospitais, água — ou seja, tudo em uma nação desenvolvida funciona por meio da eletricidade”, destacou.

Segundo Sandoval, com o agravamento da crise energética global, em consequência dos conflitos no oriente médio, o país vive um ambiente propício para o desenvolvimento da engenharia nacional. “Quando falamos de geração distribuída, veículos elétricos, armazenamento, eficiência energética, em um mundo em ebulição e transformação, percebemos que serão necessários profissionais de tecnologia para incorporar todas as inovações disponíveis. As próximas décadas serão cruciais para a engenharia. Nações desenvolvidas formam engenheiros e profissionais de tecnologia”, defendeu Sandoval.

Sandoval Feitosa, Diretor Geral da ANEEL | Créditos: Edmilson Freitas

Sobre o tema da abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão, Sandoval apresentou um cronograma de trabalho, que visa assegurar transparência e segurança jurídica e operacional para a implementação das mudanças. As medidas incluem: plano de comunicação aos consumidores; definição de tarifas das tarifas aplicáveis aos consumidores do ambiente de contratação livre e Regulado; regulação para o suprimento de última instância (Sui); elaboração de um produto padrão e do respectivo preço de referência; e regulamentação do encargo de sobrecontratação ou de exposição involuntária das concessionárias e das permissionárias. 

Cooperação e governança – O Presidente da ABEE Nacional, Ricardo Nascimento, destacou o papel da entidade no fortalecimento da infraestrutura energética nacional e defendeu a cooperação entre a ABEE, Reguladores, instâncias de governo, universo acadêmico e o setor produtivo. “Governança é tudo. A ABEE Nacional, em conjunto com as regionais, reassume o compromisso com o desenvolvimento do país, com a inovação, a infraestrutura e a construção de soluções inovadoras para a sociedade. Trabalhamos de forma colaborativa com órgãos públicos, setor produtivo e todas as instituições que impactam o futuro da nossa nação. Nossa missão é fortalecer a categoria, com foco na segurança do trabalho, que é um compromisso com a vida. Cabe a nós, engenheiros, preservar isso”.

Anfitriã do CBME, a Presidente do CREA-DF, Adriana Rezende Avelar, destacou a importância do evento para modernização da infraestrutura elétrica brasileira. “É uma satisfação receber este congresso. É um momento importante para reunirmos profissionais e lideranças em todas as discussões que impactam o futuro e o presente da engenharia elétrica do Brasil. Este evento se consolida como um espaço de debate dos temas fundamentais para o setor, especialmente diante das transformações em curso e da necessidade de modernização da infraestrutura energética brasileira”, ressaltou Adriana, que foi homenageada com a placa de “Patrona” do II CBME.

Presente na abertura do Congresso, o ministro do Tribunal de Contas da União – TCU, João Augusto Nardes, também destacou o papel da infraestrutura energética para a soberania e o desenvolvimento nacional.  “O mundo hoje depende totalmente das conexões energéticas. Por isso implantamos auditorias coordenadas para fazer prevenção, dentro da tese da governança preventiva, iniciada em 2012. Hoje somos líderes mundiais em políticas preventivas e lutamos para que o governo implante isso aqui de forma mais ampla. É importante trabalhar em conjunto com todos os engenheiros. Sem governança, não temos perspectiva em nível de nação. Não vejo futuro para a nação sem isso: sem transparência e sem avaliação de risco”, afirmou o ministro.

Autoridades presentes no CBME | Créditos: Edmilson Freitas

Patrocinadora oficial do CBME, o diretor-presidente da Mútua, Joel Krüger, fez coro aos demais componentes da mesa ao ressaltar o caráter estratégico do setor elétrico nacional. “É muito importante realizar este segundo congresso em um momento em que se fala tanto de energia. Vivemos um momento crucial da história mundial, com questões geopolíticas acontecendo, e a energia é fundamental nesse contexto. O Brasil dá exemplo pelo seu potencial de geração de energia limpa e sustentável. Essa questão é estratégica para a segurança nacional e por isso estamos honrados em apoiar e patrocinar este congresso”. 

II Congresso Brasileiro da Modalidade Elétrica (CBME) – Promovido pela ABEE Nacional, o CBME, que foi realizado na sede do CREA-DF, reforçou a importância da atuação integrada entre engenheiros, instituições públicas, empresas e entidades representativas para o avanço do setor elétrico brasileiro. Além de promover a troca de conhecimento e experiências, o congresso buscou fortalecer a valorização da engenharia e ampliar a participação dos profissionais da área nos projetos estratégicos de infraestrutura e inovação no país.

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Fonte: www.osetoreletrico.com.br