Eletromobilidade no Brasil em 2026: o ano da consolidação

Eletromobilidade no Brasil em 2026: o ano da consolidação

Por João Pedro Tabelini

Ao acompanhar de perto a evolução da eletromobilidade no Brasil, percebo que o setor começa a entrar em uma fase mais pragmática. Depois de anos marcados por expectativas elevadas e debates intensos, minha leitura é que 2026 tende a ser menos sobre promessas e mais sobre consolidação.

A infraestrutura de recarga segue em expansão, mas com uma mudança importante de foco. O desafio já não é apenas ampliar o número de eletropostos, e sim garantir qualidade, localização estratégica e potência adequada. Carregadores rápidos ganham espaço em rodovias, perímetros urbanos e garagens de frotas. Soluções como carregamento inteligente e, em alguns projetos, o uso de BESS (sistemas de armazenamento de energia) passam a integrar o planejamento, contribuindo para maior eficiência e previsibilidade operacional.

No ambiente regulatório, houve avanços relevantes. A definição da recarga como um serviço livre trouxe mais segurança ao mercado. Persistem desafios tributários e diferenças entre estados e municípios, mas o cenário de incerteza extrema ficou para trás. Em 2026, a tendência é de maior previsibilidade, fator essencial para destravar investimentos.

O transporte público elétrico deve seguir como o principal motor da eletromobilidade no país. Na minha avaliação, é nesse segmento que a eletrificação ganha escala mais rapidamente. Ônibus elétricos deixaram de ser apenas projetos piloto e começaram a se consolidar como política pública em várias capitais, impulsionados por modelos de licitação que vinculam a renovação da frota a investimentos em tecnologia e infraestrutura.

Essa evolução já pode ser observada em projetos em operação. Em São Paulo, por exemplo, a parceria entre a Nansen e a Viação Gato Preto demonstra que a eletrificação pode ser integrada à rotina urbana com planejamento energético e sistemas de recarga adequados. Em Goiânia, a implantação do maior eletroterminal de ônibus elétricos do país reforça que a infraestrutura já está sendo pensada em escala para atender grandes frotas.

Também observo uma mudança no financiamento. Bancos e investidores começam a enxergar a eletromobilidade como um mercado mais estruturado, com projetos analisados pelo custo total ao longo do tempo. Isso tende a ampliar o acesso ao crédito e viabilizar iniciativas em diferentes regiões.

Do ponto de vista tecnológico, não vejo grandes gargalos. O desafio está menos na tecnologia e mais no amadurecimento do ecossistema. Por isso, acredito que 2026 marcará o momento em que a eletromobilidade passa a ser tratada com mais maturidade no Brasil, com menos discurso e mais execução.

Sobre o autor:
João Pedro Tabelini é gerente de Eletromobilidade da Nansen

The post Eletromobilidade no Brasil em 2026: o ano da consolidação appeared first on O Setor Elétrico | Conteúdo técnico para profissionais do setor elétrico.

Fonte: www.osetoreletrico.com.br