18 set Com participação da ANEEL e MME, Congresso FIEE debate futuro da indústria eletroeletrônica
Com curadoria do Grupo O Setor Elétrico, Congresso FIEE contou com a participação do Diretor-geral da ANEEL, Sandoval Feitosa, dentre outros especialistas
Há mais de 60 anos no calendário do setor eletroeletrônico brasileiro, a 32ª edição da Feira Internacional da Indústria Elétrica e Eletrônica (FIEE) estreou, entre 9 e 11 de setembro, o início de seu congresso técnico, inaugurando um novo capítulo na trajetória do evento. Reunindo especialistas, lideranças e executivos de diferentes áreas, o congresso promoveu debates sobre tendências e caminhos para o futuro da indústria eletroeletrônica. A curadoria do primeiro dia da programação do congresso ficou à cargo do Grupo O Setor Elétrico, que trouxe ao palco nomes de referência e pautas estratégicas para o segmento da indústria eletroeletrônica.
Entre os destaques do congresso, Sandoval Feitosa, Diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), participou do painel “Tecnologia, regulamentação e sustentabilidade: novos caminhos para a indústria elétrica e eletrônica”, e falou sobre a atuação do setor elétrico diante das emergências climáticas.
O diretor ressaltou que o assunto está sendo tratado pela ANEEL que busca implementar um novo sistema econômico baseado em segurança energética para atender a demanda atual e futura; sustentabilidade ambiental para mitigar e evitar a degradação do meio ambiente e os impactos das mudanças climáticas, além da promoção universal de energia com um valor justo, colocando o Brasil como protagonista da transição energética global.
“O Brasil está à frente na corrida mundial para atingir as metas de triplicar a produção de energia renovável até 2030, fixada na última Conferência das Partes das Nações Unidas. Nossa matriz elétrica já é predominantemente renovável e diversificada, e temos uma capacidade instalada de transmissão de energia com dimensões continentais, que permite escoar a energia limpa para todo o país”, afirmou Sandoval Feitosa.

A diretora do Programa da Secretaria Executiva do Ministério de Minas e Energia (MME), Bianca Maria Matos, esteve presente também no painel e destacou a importância da pasta do ministério para o desenvolvimento da indústria elétrica e eletrônica no Brasil.
“Por meio da coordenação entre o MME e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), conseguimos estruturar caminhos tanto para o curto quanto para o longo prazo. É a partir desse planejamento que conseguimos definir medidas e orientar políticas públicas. A EPE, em especial, tem um papel fundamental ao realizar estudos profundos que embasam as nossas decisões e permitem maior segurança para o setor”, disse.
Além do destaque para o planejamento energético do setor, a diretora ponderou que o armazenamento de energia por baterias (BESS) e hidrogênio verde são temas que o Ministério de Minas e Energia está tratando internamente e que um não sobrepõe o outro.
“O armazenamento de energia por baterias (BESS) e o hidrogênio verde são duas frentes em crescimento, cada uma com foco distinto. Enquanto o BESS atende às necessidades nacionais de flexibilidade e segurança, o hidrogênio verde tem dimensão internacional, voltada à competitividade global. São debates complementares, e um não atrapalha o outro”, complementou a diretora do MME.

Economia e setor eletroeletrônico
Na abertura do congresso, o economista da MB Associados, Sergio Vale, tratou sobre geopolítica, economia e energia. Dentre os temas abordados pelo especialista, destaque para a questão da elevada taxa de juros nos Estados Unidos, um dos grandes parceiros econômicos do país, que segundo ele, poderá beneficiar o Brasil, graças à estabilidade relativa, aos ativos estratégicos e ao potencial de expansão do consumo interno.
“Com os Estados Unidos perdendo espaço como referência mundial, entramos em uma era de juros altos e maior incerteza global. O Brasil, apesar das dificuldades, tem a chance de se destacar, aproveitando seus ativos e mantendo um caminho de estabilidade e crescimento”, afirmou Vale.

Data centers
Durante o congresso, o tema data centers também foi destaque, com a palestra “Data Centers: a base da nova era digital e as oportunidades para o Brasil”, ministrada por Mateus Cavaliere, Head da PSR, consultoria especializada no setor elétrico. O especialista abordou o crescimento dessa tecnologia no Brasil e suas perspectivas futuras.
“Os data centers representam a base da nova era digital e trazem oportunidades significativas para o Brasil. A perspectiva é de sobreoferta no Sistema Interligado Nacional (SIN) nos próximos cinco anos, o que permitirá aumentos progressivos no consumo de energia pelos data centers”, afirmou Mateus Cavaliere, Head da PSR.
O executivo apontou que o Brasil possui atributos estratégicos para se tornar um hub global de data centers, contudo existem barreiras ainda para serem superadas. “O país reúne atributos como rede elétrica confiável e energia renovável, mas precisa superar desafios como geopolítica, carga tributária e clima para se tornar um polo de infraestrutura digital e atrair investimentos em tecnologia”, destacou Cavaliere.
Atualização normativa
O ano de 2025 será decisivo para a elaboração e publicação de diferentes normas do setor elétrico, impactando diretamente fabricantes, projetistas, instaladores e empresas da cadeia eletroeletrônica. Atenta a esse cenário, a FIEE promoveu o painel de debate “Atualização normativa a caminho: antecipe-se às mudanças que podem afetar seu negócio”, reunindo especialistas que atuam ativamente nos processos de revisão e construção de normas técnicas para o setor.
José Barbosa, relator do Grupo de Trabalho 3 (GT-3), responsável por formular e apresentar as sugestões de alteração na NBR 5419, norma que estabelece regras para o projeto, instalação e manutenção de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), destacou a importância das mudanças em andamento. “O aumento dos valores de NG reflete uma realidade observada em campo e traz mais precisão aos critérios de avaliação de risco. Essa atualização é fundamental para garantir que projetistas e instaladores tenham parâmetros mais alinhados às condições atuais, reforçando a segurança das pessoas, das edificações e das instalações elétricas”, afirmou Barbosa.
Representando a comissão responsável pela revisão da NBR 5410, norma que estabelece as diretrizes para instalações elétricas de baixa tensão, o engenheiro eletricista Paulo Barreto explicou os desafios que prolongaram o processo dessa atualização.
“Foram cerca de mil itens a serem analisados. Além da enorme quantidade de votos, recorde absoluto na história da NBR 5410, alguns deles exigiram uma avaliação mais demorada. Muitas vezes, uma única reunião era suficiente apenas para concluir um ou dois votos. As sugestões foram as mais variadas possíveis, desde simples correções de numeração ou palavras, até mudanças que precisaram ser enviadas para grupos de trabalho desenvolverem propostas detalhadas a serem avaliadas em plenária. Pode-se dizer que todas as seções da Norma receberam contribuições, mas as que mais demandaram esforços foram as que tratam da seleção de componentes (Seção 6) e da verificação da instalação (Seção 7)”, destacou Barreto.

A mais recente norma técnica sobre arco elétrico, publicada em maio de 2025, também ganhou destaque no congresso. O documento estabelece diretrizes para o gerenciamento de risco de arco elétrico e de energia incidente em instalações elétricas no Brasil, representando um avanço significativo na proteção de trabalhadores e equipamentos.
Durante o painel, o especialista em cálculo de energia incidente e arco elétrico, Luiz Carlos Catelani Júnior, detalhou os principais pontos da publicação. “As prescrições e recomendações desta norma se aplicam a instalações com equipamentos elétricos e condutores com tensões nominais entre 208 V e 15 kV em corrente alternada trifásica. Para tensões superiores a 15 kV, o texto traz referências adotadas pela comunidade técnica internacional, servindo de base para futuras discussões e adequações”, explicou.

IA e o futuro da indústria energética
Leo Almeida, diretor do segmento de Energia, Manufatura e Recursos Naturais do Google Cloud, foi o keynote speaker do primeiro dia do congresso FIEE e trouxe uma visão aprofundada sobre como as tecnologias digitais estão moldando o presente e o futuro da indústria energética. Em sua apresentação, destacou o papel transformador de ferramentas como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e Big Data, que já estão sendo aplicadas em soluções práticas para tornar operações mais eficientes, seguras e sustentáveis.
O executivo ressaltou a importância da inteligência artificial na tomada de decisão e na gestão de ativos críticos, apresentando exemplos de projetos em andamento. “Estamos aplicando soluções de IA para prever inundações, monitorar energia solar e otimizar operações críticas em empresas do setor elétrico. Nosso objetivo é gerar eficiência, segurança e sustentabilidade, integrando dados estruturados e não estruturados para decisões mais inteligentes”, afirmou.
O diretor também destacou como o Google vem promovendo inovação em parceria com grandes players da indústria, como Eletrobras, Equatorial, Copel e CEMIG, além do incentivo a startups por meio do programa Google for Startups. “Temos um ecossistema que conecta pesquisa, tecnologia e mercado, permitindo que a inteligência artificial impacte diretamente na operação, na segurança e na sustentabilidade das empresas. Estamos capacitando profissionais e trazendo soluções abertas para toda a comunidade industrial”, completou.
Parceria do Grupo O Setor Elétrico e FIEE
A parceria inédita entre o Grupo O Setor Elétrico e a organização da FIEE se deu através da curadoria do congresso do primeiro dos três dias de atividades. “O Grupo O Setor Elétrico traz quase duas décadas de experiência acompanhando de perto os avanços e desafios do setor. Essa trajetória nos permite contribuir com curadoria qualificada e conteúdos relevantes, conectando agentes importantes do setor, especialistas e empresas. Nossa missão é justamente essa, compartilhar conhecimento e fomentar o desenvolvimento sustentável da indústria elétrica”, afirmou Adolfo Vaiser, CEO do Grupo O Setor Elétrico.
À frente da curadoria, Edmilson Freitas, editor-chefe da revista O Setor Elétrico, explicou que todo o conteúdo foi cuidadosamente pensado para dar aos congressistas um panorama completo dos principais temas e debates do segmento. “Neste primeiro dia de curadoria, buscamos oferecer uma imersão completa dos temas mais estratégicos para a indústria elétrica e eletrônica. Reunimos especialistas de peso para discutir inovação, regulação, tecnologia e competitividade, conectando o setor às transformações que já estão moldando o futuro da economia e da energia no Brasil e no mundo”, destaca.
Feira de negócios
Além de palco para debates e palestras técnicas, a FIEE teve mais de 600 marcas expositoras. Ao longo dos quatro dias, empresas apresentaram lançamentos, soluções e tecnologias que vão desde a geração de energia até os componentes finais de produtos eletrônicos. “Acredito que o Brasil vive um momento em que precisamos fomentar os negócios, e a FIEE é um ambiente excelente para isso. É um lugar fértil, repleto de oportunidades. Já expusemos em 2023 e foi um grande impulso para nossos negócios. De fato, este é um momento muito propício”, avalia Eduardo Martendal, vice-presidente da Tamura Brasil Transformadores.
Nunziante Graziano, diretor executivo do Grupo GIMI Soluções em Energia, destacou a presença da empresa na FIEE com a maior cesta de produtos de média tensão do mercado e um portfólio completo também em baixa tensão. “Trazemos a maior cesta de produtos de média tensão, com soluções em ar, mista ar e SF6, isolamento integral em SF6 e a tecnologia gás-free. Na baixa tensão, oferecemos a linha completa de painéis de distribuição, barramentos blindados, CCM extraíveis e medição eletrônica centralizada. Essa estratégia é pensada no momento disruptivo que vivemos, em que a eletrificação avança em todos os setores e, por isso, segurança, eficiência e resiliência são prioridades para manter o sistema em funcionamento.”
A diretora de operações da Varixx, Karen Piedade, também ressaltou a importância da FIEE como espaço estratégico para lançamentos e conexão com diferentes públicos do setor. “Estamos bastante animados com esta feira, que é extremamente relevante para o setor. Já no segundo dia recebemos inúmeros clientes, integradores e clientes finais. Estamos em um processo de lançamento de várias novidades e inovações mundiais, e o público tem demonstrado muito interesse, parando para conhecer, perguntar e tirar dúvidas. É exatamente esse o objetivo: mostrar nossas novidades e aproveitar a oportunidade de concentrar essa troca em um evento desse porte.”
Com o objetivo de integrar novamente a empresa no circuito nacional de eventos para reposicionar a marca e ampliar sua visibilidade, Maurício Saldanha, gerente de negócios da Blutrafos, detalhou os lançamentos da empresa na feira. “Trazemos ao mercado produtos novos voltados, por exemplo, ao atendimento de data centers. Já realizamos uma venda importante em 2025 e estamos divulgando um sistema de média tensão pensado especificamente para esse segmento. Também estamos entrando no mercado de armazenamento de energia (BESS), desenvolvendo soluções próprias e, no momento, compondo ofertas com parceiros. Em breve lançaremos nosso produto próprio”, afirmou.
O ambiente de networking da feira foi elogiado pelo analista de marketing da Fockink, empresa de soluções do setor elétrico, Mathias Alegransi. “Retornamos oficialmente à feira em São Paulo trazendo o painel F-Control, novidade em baixa tensão, além de nossos painéis de média tensão, e encontramos grande interesse em todos os segmentos em que atuamos. Fomos surpreendidos pela qualidade dos contatos e pelo volume de interações — muitos leads, possibilidades de negócios e boa aceitação do produto”, pontuou.
Em sua primeira participação na FIEE, a BTM buscou consolidar sua marca no mercado elétrico brasileiro e na América Latina. A empresa trouxe soluções para painéis de baixa e média tensão, abrangendo 17,5 kV, 24 kV e 36 kV, além de barramentos e serviços de instalação, comissionamento, startup e retrofit. “Nosso objetivo é expandir para novos mercados, clientes e oportunidades, aproveitando a importância da FIEE para o setor elétrico”, afirmou Eduardo Silva, gerente comercial da BTM.
A Yaskawa, presente na FIEE há mais de 25 anos, destacou nesta edição a nova linha de servo motores Sigma X com controlador iCube e a expansão da linha de inversores de frequência GA 800, agora atendendo até 1.000 Cv. “Essas soluções reforçam a FIEE como plataforma estratégica para ampliar nossa presença e acelerar a inovação no setor de automação industrial”, afirmou Anderson Sato, diretor técnico da Yaskawa Elétrico do Brasil, no encerramento da feira em São Paulo.
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Fonte: www.osetoreletrico.com.br