09 abr Brasília recebe a 3ª edição Congresso Internacional da Mobilidade Elétrica e Baixo Carbono
3ª edição do CONATRE acontece entre os dias 13 e 14 de maio de 2026 no CREA, em Brasília, e reúne especialistas do governo, indústria, academia e sociedade civil
A crise mundial provocada pela guerra no oriente médio, que elevou o preço do petróleo e gás natural, mostrou como a economia mundial ainda é extremamente dependente destes combustíveis fósseis, já que representa 50% da matriz energética global, o que reforça a urgência de descarbonizar o setor de transporte. Dados levantados pelo 5º Anuário Brasileiro da Mobilidade Elétrica e Baixo Carbono, que será lançado durante o evento, revelam que o Brasil ainda precisa reduzir sua dependência do petróleo, diminuir as emissões de CO₂ e acelerar as alternativas de baixa emissão de carbono, sejam pelas rotas elétricas, hidrogênio ou biocombustíveis de veículos de carga, transporte urbano e de passeio, onde o país segue atrás de China, Estados Unidos, Alemanha e boa parte de outros países europeus.
Enquanto o mercado de veículos elétricos leves cresce, o segmento de caminhões elétricos permanece pouco desenvolvido, apenas 0,4% da frota total em 2026, apesar de o país ser fortemente dependente do transporte de carga rodoviário. Isso representa um atraso com forte impacto na competitividade frente a mercados internacionais e a urgente transição energética.
Com a proposta de levantar soluções para esse cenário será realizado o 3º CONATRE – Congresso Internacional da Mobilidade Elétrica e Baixo Carbono, com formato presencial no CREA-DF. O evento, realizado pela EVBRAS em parceria com LEMOB & PNME (Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica), conta ainda com curadoria técnica da Barassa e Cruz Consulting (BCC).

Perda de competividade e atraso no transporte pesado
Segundo o Diretor Executivo do evento, Leonardo Veloso Brandão, o setor de ônibus também revela uma contradição: o Brasil é o terceiro maior fabricante de ônibus do mundo, atrás apenas de China e Índia, mas a produção continua majoritariamente voltada para modelos a combustão interna, por falta de política pública robusta de fomento à cadeia de ônibus elétricos e de baixa emissão de carbono, como os biocombustíveis. “Temos um grande potencial de mercado nesse segmento, apesar do crescimento modesto em 2025: Foram emplacados 28.844 ônibus, o que representa alta de 4,2% em relação a 2024”. Ele ressalta que no último ano a indústria brasileira produziu 27.516 ônibus, considerando mercado interno e exportações, um aumento de 1,7% em relação a 2024 (27.067 unidades). Ele Alerta também que, o Brasil, que sempre foi um grande exportador de ônibus a combustão para a América Latina, está enfrentando desafios significativos. A eletrificação das frotas e a concorrência com a China estão mudando o jogo em mercados como Chile e Colômbia, onde a frota de ônibus elétricos já é expressiva e em franca expansão, com cerca de 2.700 e 1.600 unidades, respectivamente, em 2025. É um momento desafiador, mas também de oportunidades para a indústria brasileira de ônibus se reinventar e se adaptar às novas demandas do mercado, completa Leonardo.
Brasil já conta com quase 600 mil veículos leves eletrificados
Apesar dos desafios, o cenário mostra avanços. Segundo o 5º Anuário, em 2022 o Brasil registrava cerca de 49 mil veículos eletrificados, em 2025 esse número saltou para 223 mil unidades vendidas, com a participação de veículos eletrificados ultrapassando 10% do mercado total de veículos leves, chegando a 13% em dezembro, mostrando que o modelo de mobilidade elétrica já migrou da fase de nicho para início de escala.
O mercado agora é um mix tecnológico diversificado: elétricos puros, híbridos plug‑in, híbridos flex e não flex e micro‑híbridos. O país já conta com quase 600 mil veículos eletrificados em frota, com mais de 220 mil novas unidades vendidas em 2025, um incremento de 60 mil em relação a 2024. Ao mesmo tempo, a infraestrutura de recarga acompanha a expansão: o número de pontos de recarga públicos e semipúblicos saltou de cerca de 800 unidades para aproximadamente 17 mil em 2025, marcando uma rede nacional em construção, ainda desigual entre regiões.
Programação de palestras do 3º CONATRE
Esses e outros assuntos voltadospara discutir rotas de descarbonização em transporte e energia serão discutidos durante a ampla programação de palestras do 3º CONATRE.
No primeiro dia, 13 de maio, a abertura, às 9h, discute a descarbonização da mobilidade como motor da neoindustrialização, da engenharia e do emprego no Brasil, conectando transição energética e desenvolvimento econômico. Em seguida, entre 10h30 e 11h30, os participantes se dividem em dois painéis simultâneos: um focado em inovações da engenharia brasileira para a descarbonização do setor ferroviário e outro em Roadmap de descarbonização da cabotagem no Brasil, trazendo experiências de portos e transporte marítimo de curta distância. Às 11h45, dois novos fóruns abordam, ao mesmo tempo, Alternativas de descarbonização do transporte pesado no país e gargalos e oportunidades do uso de SAF (combustível de aviação sustentável), com participantes de companhias aéreas, indústria de óleos e governo.
Na parte da tarde, entre 14h30 e 15h30, um painel discute como Combustível do Futuro, Nova Indústria Brasil e o programa Mover irão impulsionar a mobilidade sustentável brasileira, enquanto o outro analisa o papel do crédito de carbono, certificados e mercados regulados para financiar projetos de baixa emissão. Às 15h45, o debate segue com os desafios e oportunidades da reciclagem veicular, com foco em manutenção e segunda vida de componentes, e, em seguida, com Economia circular de baterias de lítio, discutindo perspectivas, implicações e oportunidades de negócio nesse novo nicho industrial. A atividade do dia se encerra com a cerimônia de premiação Prêmio CONATRE – Edição 2026, que reconhece iniciativas de mobilidade sustentável.
No segundo dia, 14 de maio, a abertura, às 9h, traz a discussão sobre Transporte público sustentável, com experiências de eletrificação em cidades como Bogotá, Santiago e São Paulo, mostrando como a mobilidade elétrica tem sido usada em sistemas de ônibus, metrôs e BRTs. Entre 10h30 e 11h30, dois painéis paralelos analisam as Experiências de descarbonização do transporte público das cidades e do transporte de carga, com foco em ônibus, caminhões, logística urbana e corredores de distribuição. Às 11h45, a programação aborda os Alcances e desafios da Política Nacional de Minerais Estratégicos, ligando a exploração de lítio, nióbio e outros recursos à cadeia de mobilidade elétrica, e O potencial dos vetores energéticos brasileiros, como hidrogênio verde, etanol e biogás, na descarbonização do transporte.
Às 14h30, dois painéis discutem, respectivamente, Os desafios para a implantação do Corredor Azul (GNV ou biometano) em rotas estratégicas do transporte rodoviário e O caminho de descarbonização de rodovias via mobilidade elétrica, com foco no modelo e‑Dutra e em soluções de infraestrutura.
Às 15h45, a reflexão se volta para Pesquisa e desenvolvimento em mobilidade sustentável, integrando academia, governo e indústria, e para o lançamento do 5º Anuário Brasileiro de Mobilidade Elétrica e Baixo Carbono, que encerra a programação. As atividades oficiais do 3º CONATRE são concluídas às 17h30, com a cerimônia de encerramento, que reforça a necessidade de alinhar tecnologia, regulação e investimento para acelerar a descarbonização do transporte no país.
Leonardo Veloso ressalta que o 3º CONATRE é um ponto de convergência essencial para o setor, reunindo governo, indústria, academia e sociedade civil para transformar diagnósticos de descarbonização em políticas concretas, investimentos e inovação. “O evento é uma grande oportunidade para diferentes públicos, empresários, autoridades até jovens formadores de opinião, adquirirem conhecimento, realizarem networking e novos negócios focados nas melhores práticas de ESG, impulsionando a transição para uma mobilidade elétrica e de baixo carbono no Brasil”.
Prêmio CONATRE valoriza cases de mobilidade sustentável
Durante o 3º CONATRE será realizada a premiação CONATRE – Mobilidade Sustentável, em sua primeira edição. Segundo o diretor Edgar Barassa, da Barassa e Cruz Consulting (BCC), o prêmio reconhece, em nível nacional, personalidades e empresas que impulsionam, na prática, a descarbonização do setor, considerando um mix tecnológico amplo: eletrificação veicular, híbridos, biometano, SAF, HVO, micromobilidade e outras soluções de baixa emissão. O foco é em cases concretos, replicáveis e escaláveis, que ajudem a acelerar a adoção de tecnologias limpas em diferentes modais e regiões do país.
The post Brasília recebe a 3ª edição Congresso Internacional da Mobilidade Elétrica e Baixo Carbono appeared first on O Setor Elétrico | Conteúdo técnico para profissionais do setor elétrico.
Fonte: www.osetoreletrico.com.br