22 abr A nova NBR 5419 chegou!
A nova NBR 5419 foi publicada em 10/03/2026, e as novas soluções de proteção contra descargas atmosféricas no Brasil devem atender plenamente às suas exigências. Atender à nova ABNT NBR 5419 significa aplicar o que há de mais atual e tecnicamente consensual no mundo nessa área. Isso porque ela teve como base a IEC 62305 em sua última versão, publicada no fim de 2024. Além disso, cumprir a NBR 5419 também significa atender à legislação brasileira, quando aplicável, especialmente no que se relaciona ao Código de Defesa do Consumidor e à Norma Regulamentadora nº 10 (NR 10) do Ministério do Trabalho.
O volume de alterações não foi grande, mas elas são representativas e introduzem um novo paradigma na definição da necessidade de proteção de equipamentos críticos e não críticos. A norma passa a adotar o conceito de frequência de dano, que substitui o risco de perda de serviços essenciais ao público e o risco de perda de valores econômicos. Assim, na análise de risco, segundo a Parte 2 da NBR 5419, permanecem o risco de perda de vida humana, incluindo ferimentos permanentes (R1), e o risco de perda de patrimônio cultural (R3), sendo incluída agora a frequência de dano (F).
Dessa forma, passa a ser obrigatória a adoção de medidas de proteção contra surtos, não apenas para equipamentos que sustentam a vida humana ou que prestam serviços essenciais ao público, agora definidos como equipamentos críticos, mas também para equipamentos não críticos, que incluem, por exemplo, equipamentos instalados em edificações comerciais, residenciais ou industriais. Isso ocorrerá sempre que a frequência de dano ultrapassar os valores de referência estabelecidos pela NBR 5419: 1 parada por ano para equipamentos não críticos e 0,1 parada por ano para equipamentos críticos.
Outra mudança importante foi a atualização dos valores da densidade de descargas atmosféricas para o solo por quilômetro quadrado por ano (NG). Esses valores foram revistos considerando tanto as mudanças climáticas, que elevaram a ocorrência de descargas atmosféricas, quanto às novas tecnologias de medição disponíveis. A Parte 2 da NBR 5419 passa a trazer uma tabela com todas as cidades brasileiras e seus respectivos valores de NG. Cada cidade passa a ter apenas um único valor, diferentemente da versão anterior, que apresentava vários valores por cidade. Além disso, a apresentação desses valores foi normalizada em números pares, variando de 2 em 2.
De forma geral, o texto da norma foi redigido para melhorar a compreensão de conceitos que, na versão anterior, geravam dúvidas de interpretação. Um exemplo é o caso das ligações equipotenciais. O novo texto busca esclarecer que as ligações equipotenciais, ou equipotencialização, constituem uma medida de segunda linha, ou seja, devem ser adotadas quando não for possível garantir a segurança por meio da aplicação do conceito de distância de segurança. Vejo o mercado utilizando a equipotencialização no SPDA como uma medida ordinária, e o novo texto esclarece que seu emprego deve ser excepcional.
Outro exemplo é a utilização da medida de proteção contra tensão de passo. A versão anterior apresentava a “equipotencialização efetiva no solo” como uma dessas medidas, mas esse termo gerava muita confusão. Parte do mercado interpretava essa medida como a realização de ligações equipotenciais entre eletrodos de aterramento ou a interligação de elementos metálicos à BEP ou à BEL. Na nova versão, a medida passou a ser denominada “malha de equipotencialização do solo por meio de eletrodo de aterramento reticulado incorporado ao eletrodo, tipicamente no ponto em que a descida fica interligada ao eletrodo”. Trata-se de uma medida válida apenas para proteção contra tensão de passo.
O novo texto também esclarece melhor o uso do DPS classe I, tanto nas definições quanto nos critérios de aplicação. A versão anterior tratava de forma genérica a necessidade de DPS, deixando ao leitor a responsabilidade de interpretar qual classe seria adequada para cada caso. Na nova versão, está explícita, no próprio texto, quando se refere ao DPS classe I, que é ensaiado para suportar corrente impulsiva, característica da corrente de uma descarga atmosférica, capaz de provocar centelhamentos perigosos, com risco de incêndio, além de choque elétrico em pessoas.
As mudanças trazidas pela nova versão da NBR 5419 podem ser explícitas, como nos casos da frequência de dano e do NG, mas também podem ser sutis ao longo do texto, embora com potencial para alterar completamente o entendimento técnico. Isso exige dos profissionais um estudo pormenorizado da nova norma, antes da elaboração de novas soluções de proteção contra descargas atmosféricas, e não apenas a adesão a informações gerais que circulam nas redes sociais.
Sobre o autor:
José Barbosa é engenheiro eletricista, relator do GT-3 da Comissão de Estudos CE: 03:064.010 – Proteção contra descargas atmosféricas da ABNT / Cobei responsável pela NBR5419. | www.eletrica.app.br
The post A nova NBR 5419 chegou! appeared first on O Setor Elétrico | Conteúdo técnico para profissionais do setor elétrico.
Fonte: www.osetoreletrico.com.br