18 fev O impacto da revisão da NBR 5419 em números
A nova versão da ABNT NBR 5419 introduz mudanças relevantes na metodologia de análise de risco, ferramenta obrigatória para a definição da necessidade de proteção contra descargas atmosféricas em estruturas no Brasil. Essas alterações podem resultar em variações significativas nos resultados quando comparadas à versão de 2015 da norma.
Dentre as principais inovações, destacam-se o aumento dos valores da densidade de descargas atmosféricas para o solo (NG), a introdução da frequência de dano (F) e a inclusão do fator relacionado ao tipo de estrutura (rs).
Para quantificar e contextualizar esses impactos, foram comparados alguns casos práticos. O primeiro refere-se a uma residência em alvenaria simples, localizada em Manaus, com dimensões de 10 m de comprimento, 7 m de largura, 3 m de altura, situada em área suburbana.
Ao calcular o risco de perda de vida humana (R1) conforme as versões de 2015 e 2026 da norma, verificou-se que não houve alterações significativas no resultado, apesar do aumento expressivo do valor de NG e da introdução do fator associado ao tipo de estrutura. Em ambas as versões, não há exigência de Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA).
Entretanto, as duas versões indicam a necessidade de instalação de Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) nas entradas das linhas de energia, com diferenças quanto ao nível de proteção requerido: a versão de 2015 exige DPS classe I compatível com o nível IV de proteção, enquanto a versão de 2026 requer DPS compatível com o nível II.

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Figura 1 – Resultado análise de risco nas versões 2015 e 2026
Além do risco de perda de vida humana (R1), a versão 2026 da ABNT NBR 5419 passa a exigir a avaliação da frequência de danos em equipamentos, distinguindo-os entre críticos e não críticos. Consideram-se equipamentos críticos aqueles cuja indisponibilidade pode causar impacto relevante à coletividade, enquanto os equipamentos não críticos são aqueles cuja falha afeta exclusivamente o proprietário da instalação.
No caso de edificações residenciais, os equipamentos são classificados como não críticos. Para essa categoria, a norma estabelece como frequência máxima tolerável o valor de uma falha por ano.
Para adequar a frequência de dano da residência analisada no estudo de caso a esse limite normativo, torna-se necessária a adoção de um sistema de Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) coordenados, dimensionados para atender ao nível I de proteção.

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Figura 2 – Resultado da frequência de dano 2026
Para um edifício comercial localizado na cidade de São Paulo, com dimensões de 30 m de comprimento, 20 m de largura e 30 m de altura, ambas as versões da norma indicam a necessidade de adoção de um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA). Na versão de 2015, é requerido um SPDA compatível com o nível III de proteção, enquanto na versão de 2026 passa a ser exigido o nível II de proteção.
Adicionalmente, de forma semelhante ao observado no caso da edificação residencial, a versão de 2026 estabelece a necessidade de adoção de Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) coordenados, dimensionados para atender ao nível IV de proteção, com o objetivo de limitar a frequência de falhas em equipamentos não críticos ao valor máximo de uma falha por ano.
Além da introdução dos DPS coordenados, não exigidos pela versão de 2015, a mudança do nível III para o nível II de proteção do SPDA implica consequências diretas no projeto, como o aumento do número de captores e de condutores de descida, bem como a necessidade de reavaliar e, eventualmente, ampliar o sistema de eletrodos de aterramento.

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Figura 3 – Estimativa SPDA nas versões 2015 e 2026
Em síntese, o impacto das novas diretrizes da ABNT NBR 5419:2026 dependerá das características específicas de cada caso analisado. Conforme evidenciado nos estudos de caso apresentados, em algumas situações as mudanças se refletem principalmente na necessidade de proteção de equipamentos, enquanto em outras resultam no aumento do nível de eficiência das medidas de proteção já previstas na versão de 2015 da norma.
Sobre o autor:
José Barbosa é engenheiro eletricista, relator do GT-3 da Comissão de Estudos CE: 03:064.010 – Proteção contra descargas atmosféricas da ABNT / Cobei responsável pela NBR5419. | www.eletrica.app.br
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