Sustentabilidade e manutenção: Combate às emissões de SF₆ através de técnicas avançadas

Sustentabilidade e manutenção: Combate às emissões de SF₆ através de técnicas avançadas

Durante o mês de junho, em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, o setor elétrico é convidado a refletir sobre suas práticas e impactos. Um dos pontos mais sensíveis nesse contexto é a utilização do hexafluoreto de enxofre (SF₆), um gás isolante extremamente eficaz, mas com severas consequências ambientais em caso de vazamento.

Com GWP (Global Warming Potential) aproximadamente 23.500 vezes maior que o CO₂, o SF₆ não causa diretamente a destruição da camada de ozônio, mas contribui significativamente para o aquecimento global, o qual impacta os ciclos atmosféricos que regulam a formação e recuperação do ozônio estratosférico.

O SF₆ permanece na atmosfera por mais de 3.000 anos, e embora seja quimicamente estável demais para reagir com o ozônio, seu impacto climático é inegável. A emissão é calculada em CO₂ equivalente (CO₂e) para mensurar seu efeito estufa:

CO₂e (kg)=massa de SF₆ (kg)×23.500text{CO₂e (kg)} = text{massa de SF₆ (kg)} times 23.500CO₂e (kg)=massa de SF₆ (kg)×23.500 

Exemplo prático:
Um vazamento de 1 kg de SF₆ equivale à emissão de 23.500 kg de CO₂, o mesmo que:

  • O uso contínuo de um carro popular por cerca de 100.000 km; ou
  • A pegada anual de carbono de três famílias brasileiras médias.

Importância da manutenção em equipamentos com SF₆

Embora o SF₆ seja utilizado em disjuntores, seccionadoras e transformadores blindados, devido à sua confiabilidade elétrica, a manutenção preventiva e preditiva é essencial para evitar emissões indetectáveis a olho nu, que se acumulam com o tempo e comprometem a integridade ambiental e regulatória das subestações.

Técnicas para prevenção de vazamentos

1 –  Câmeras de Detecção Óptica de Gás (OGI): equipamentos como a FLIR GF306 capturam emissões invisíveis de SF₆ usando tecnologia infravermelha filtrada, permitindo inspeções em tempo real sem desligamento da instalação.

2 – Monitoramento Contínuo de Pressão e Vazão: sensores embarcados detectam variações de pressão em compartimentos de SF₆, com geração de alertas automáticos para perdas acima do normal.

3 – Análise Físico-Química do Gás: medições periódicas de umidade, ácido fluorídrico (HF), SO₂, e SOF₂ ajudam a identificar desgastes internos, arco elétrico ou contaminação por falha de vedação.

4 – Revisão de Vedações e Conexões: troca regular de O-rings por elastômeros de alta durabilidade (ex: EPDM ou Viton®), inspeção de flanges e reaperto com torquímetros calibrados são práticas recomendadas.

A manutenção completa dos polos do disjuntor SF6 também é crítica para assegurar confiabilidade, segurança operacional e zero emissão de SF₆. Deve envolver: inspeção interna dos contatos móveis e fixos, buscando sinais de carbonização, desgaste ou pitting; medição da resistência de contato com micro-ohmímetro (ideal < 100 μΩ); testes de tempo de operação e sincronismo entre fases; verificação da integridade mecânica das molas, eixos e pinos articulados; limpeza com solventes dielétricos e lubrificação de superfícies móveis com graxa compatível; secagem do compartimento com vácuo e reposição de SF₆ com grau de pureza conforme IEC 60376 (> 99,9%); e verificação da estanqueidade com detecção ultrassônica ou sniffer de vazamento.

A crescente regulação ambiental exige que os agentes do setor elétrico adotem não apenas boas práticas técnicas, mas também posicionamentos éticos e sustentáveis. A minimização das perdas de SF₆ não é apenas uma obrigação técnica, mas um compromisso com a sociedade e as futuras gerações.

Integrar tecnologia de monitoramento, qualificação de equipes, e manutenção com rastreabilidade é essencial para tornar as subestações modernas mais eficientes e ambientalmente responsáveis.

Referências Técnicas

  1. IPCC AR6 – Intergovernmental Panel on Climate Change, 2022.
  2. IEC 60376 / 60480 – Specifications for SF₆ gas in electrical equipment.
  3. IEEE C37.122 – SF₆ Gas Handling Guidelines.
  4. Cigré Technical Brochure 802 – SF₆ Alternatives and Environmental Impact.
  5. FLIR Systems – Optical Gas Imaging for SF₆ Leak Detection.

Sobre o autor:

Caio Huais é engenheiro industrial, especialista em Engenharia Elétrica e Automação com MBA em engenharia de manutenção e gestão de negócios. Atualmente, ocupa posição de gerente corporativo de manutenção no Grupo Equatorial, respondendo pelo desempenho da Alta Tensão de 7 concessionárias do Brasil.

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Fonte: www.osetoreletrico.com.br